Uma família com esperança...

Principalmente, ao fim-de-semana, ter tantos voos para Inglaterra leva-me a querer muito fazer-me à estrada, entrar no Aeroporto e ir ter com o Luís. Mas depois respiro fundo e penso nos exames que o Gonçalo está a fazer, na festa de anos do Miguel que terei de preparar, do tanto trabalho que ainda me espera...
Quero muito voltar a Manchester e Liverpool...e tirar fotos nesta praia tão diferente das nossas...







As fotos são do fotógrafo do costume, Luís Meneses.


A vida e a morte estão lá fora



Chegámos ontem das festas da vila e ficámos os três, estarrecidos, petrificados, a olhar para a televisão. Hoje de manhã, as notícias ainda eram mais tristes e continuámos a olhar para a televisão.

Depois eu levantei-me e fugi da televisão. Disse aos meus filhos que não demorava. Fui ao supermercado mais próximo e comprei águas e barritas que entreguei no quartel dos bombeiros da minha freguesia.

Sou uma mãe normal, não sou melhor do que ninguém, mas sei que há um caminho a seguir: educar pelo exemplo. Podemos assistir passivamente à tragédia, podemos deixar que as lágrimas rolem, podemos sentir uma infinita tristeza. Contudo, é preciso levantar e re(agir)... a Vida e a Morte estão lá fora.




3 peças que eu comprei na Zara e não me arrependi

Esta estação comprei na Zara uma camisa, um top e um vestido (dá também para usar como quimono). 
Se quiserem aproveitar, procurem-nas nos Saldos ( fala-se que começam a 23 de junho).




Sou professora e (ainda) gosto muito...



Ontem, falava eu com uma das melhores pessoas e professoras que eu conheço, minha Coordenadora de Departamento há muitos anos, e eu dizia-lhe que não gosto muito de escrever no meu blogue sobre a minha profissão. E, contudo, é na escola que passo muitas das horas do meu dia, em casa passo muito do meu tempo com trabalho e, por mais que eu tente, à noite quando me deito, a escola ocupa também muito dos meus pensamentos.
O meu blogue é como se fosse um espaço onde posso falar do que eu sou, da forma como tento encarar a vida, do meu lado mais "coquete", é um espaço onde tento que a mulher que eu sou não se misture muito com a Stora Sofia, ou DT, ou Teacher...como passo tantas horas a ser chamada.

E, no entanto, hoje, dia que não tenho aulas e estou prestes a terminar mais um ano letivo (mas ainda falta), sinto vontade de escrever sobre o que eu faço...

Sou professora há vinte e quatro anos e gosto muito de ser professora. Terminei o curso com boa nota, fiquei efetiva no primeiro ano em que concorri (outros tempos), leciono na mesma escola há vinte anos e a cinco minutos de casa ( sou uma sortuda), estou no terceiro escalão (são dez), ganho mais do que a maioria das mulheres que me rodeia, mas menos do que pensaria ganhar quando concorri, como primeira opção, para um curso que me permitisse ensinar.

Eu sei o nome de quase todos os que foram meus alunos (quando os cumprimento pelo nome já notei alguns olhares de espanto), tento nunca desistir dos alunos mais fracos, procuro ser justa, não me consigo desligar da vida pessoal de uma criança e focar-me apenas nos resultados, tento motivá-los, ser disponível, esforço-me para ensinar o melhor que sou capaz... Mas não sou perfeita.

Dou por mim a  repetir as mesmas frases de aviso vezes sem conta, às vezes comparo as turmas e sei que eles detestam (a turma X vai mais adiantada na matéria), já fui injusta muitas vezes e chamei a atenção de quem não devia, já disse palavras que magoam, já me arrependi por não ter agido da melhor maneira...

Nestes mais de vinte anos, vi perder muito do prestígio que a profissão tinha, perdi poder de compra, já passei por muitas reformas no ensino, vi cada governo tomar opções diferentes sem avaliar convenientemente o que foi feito, já fiz greve muitas vezes, já participei em manifestações, já me zanguei por ter que preencher tantos documentos... E, no entanto, vinte e quatro anos depois,continuo a sentir-me professora e a gostar de o ser.

Agora, se eu voltasse a 1989 e concorresse de novo, se voltaria a colocar um curso de ensino em primeiro lugar...Bem, isso são outros assuntos. 

E  a verdade é que, se nós soubéssemos o que se passaria antes de fazermos opções, a vida, tenho quase a certeza, não teria metade da graça.

Fintar o medo...


No outro dia perguntavam-me se eu não tinha medo pelo facto do Luís estar num país onde estão a ocorrer tantos atentados. Respondi que sim, que por vezes tenho medo, que fico com o estômago às voltas, que fujo das notícias que passam na televisão. E, contudo, a maioria das vezes não tenho, nem me lembro de tal.

Receio que possa ser pelo motivo de que, infelizmente, os atentados sejam algo que, de tão frequentes, eu possa banalizar. Porém, penso que é também uma maneira de me/nos protegermos. Não é possível viver em permanente estado de alerta, não podemos efetivamente viver se não temos coragem de abrir a porta da nossa redoma, é impossível aproveitar  a vida pensando constantemente que a morte está à espreita. De facto, sabemos que a morte está mesmo à espreita desde o dia que o nosso choro irrompe o mundo. E não há poder nem dinheiro que nos salve do que é certo.

A minha maneira de fintar o medo é esta, não conheço outra estrada e, para já, não há atentado que me desvie do caminho. A vida espera-me, espera-nos, e eu agradeço cada momento e  tento viver o maior número de momentos felizes que conseguir. Se sou sempre assim? Não, mas tento. E ter dois filhos ao lado, que me olham à procura da minha reação sempre que passa algo de terrível na televisão, também me dá alento para isso. 

Como diz o poeta, o mundo avança e eu sei que se deixar que o medo me domine, eu apenas existo. E o que eu quero mesmo  é Viver. E quero que os meus filhos não tenham medo da vida. Não há vidas perfeitas e não há um mundo perfeito. Este é o que temos. Saibamos vivê-lo.

As fotos que vos deixo são do Luís ( com o telemóvel) e foram tiradas na domingo seguinte ao atentado de Manchester: se por um lado temos na foto tirada em Chester a consciência do terrível atentado ocorrido em Manchester, por outro lado, na Maratona de Liverpool, temos o mostrar que a vida tem de prosseguir.





A vida é um instante...



Acho que foi a primeira vez que estive tanto tempo sem escrever no blogue. Vou tentar que não aconteça de novo...

47


Durante anos não gostei desta foto. Foi tirada quando eu nasci, numa maternidade em Paris, há quarenta e sete anos. Toda a gente dizia que a minha mãe iria ter um rapaz e penso que os meus pais ficaram um pouquinho "desanimados" quando eu me juntei à minha irmã. Comecei eu então a dizer que durante anos não gostava desta foto porque me parecia ver uma certa tristeza nos olhos da minha mãe.

No entanto, hoje, depois de a olhar vezes sem conta, não é tristeza que vejo nos olhos da minha mãe. Vejo cansaço, talvez algum receio por estar num país estranho,  por se sentir órfã de  seus pais e família... E depois gosto do bebé que a foto mostra: robusto, forte, já a antecipar que iria ser uma pessoa de sorrisos.

Hoje faço 47 anos. Agradeço por tanto o que a vida me deu, mas principalmente por ter descoberto a tempo a olhar a vida com filtros ensopados de amor.

Um dia normal de uma mulher normal...

Resultado de imagem para agradecer

Levantar. Respirar fundo. Decidir que é melhor trocar os saltos por algo mais confortável. 


Tomar pequeno-almoço sentada com o filho mais velho e verificar que ele está mesmo um homem.

Ir para o trabalho com os filhos e mais duas miúdas que apanho no caminho.

Sair do trabalho ao final da tarde, trazer o carro cheio de miúdos e regressar a casa a cantar com o filho mais novo uma das músicas do Ed Sheeran.

Lanchar com os meus rapazes e fazer uma visita rápida às redes sociais.

Pôr uma máquina de roupa a lavar.

Levar o Miguel ao treino e apanhar mais três miúdos pelo caminho.

Tomar um café rápido com a minha mãe e pedir-lhe que me coza mais feijão verde (o que ela cozinha tem outro sabor).

Estender a roupa.

Falar com o Luís via Messenger.

Preparar o jantar e o meu almoço do dia seguinte.

Fazer um prato de arroz doce para levar a uma amiga.

Ir buscar o Miguel ao treino.

Jantar com os meus rapazes.

Cantar no Coro até às 23:10.

Regressar a casa a cantar no carro.

Mandar mensagem ao Luís.

Mudar a minha foto de perfil do Facebook.

Dar um beijo aos meus filhos que já estão na cama.

Tirar a maquilhagem e besuntar-me com cremes.

Ler um bocadinho do livro " O Pianista de Hotel" do Rodrigues Guedes de Carvalho.

Pensar que daqui a um dia faço anos.

Agradecer.






Às vezes tenho a mania #32



Gosto muito do estilo effortless, como se tivesse vestido o que está mais à mão. Também gosto cada vez mais de peças atuais, mas sem serem muita " isto é o que se usa". Vai daí, na últma vez que fui às compras, experimentei as peças mais trendy, mas acabei rendida a uma camisa às risquinhas sem grandes detalhes e uns sapatos azuis escuros. E cada vez gosto mais de peças assim.


                                                                                         Foto do meu Instagram


Camisa e sapatos - Zara  
Calças antigas (atualizei eu própria a bainha)-  La Redoute
Carteira- Tous
Óculos- Ray Ban




Há presentes perfeitos? Há.

Quase, quase a festejar mais um aniversário. Não tenho lista de presentes, nem anseio por recebe-los. Penso em aniversários anteriores e só me consigo lembrar que já tive o presente perfeito. Foi há dois anos e foi este:

A vida é um instante...


Momentos de uma semana que passou a correr: o aniversário do meu Coro do coração (Anima Choralis), um almoço para festejar o aniversário da ONG Coração sem fronteiras, um look que me inspirou e que tentei copiar ( depois digo como), a apresentação de um livro que estou a gostar muito.

E se...





Ainda sem palavras com o que aconteceu ontem em Manchester ( tão perto de Widnes que é a cidade onde está o Luís), quero agradecer as mensagens que recebemos a propósito do atentado. Chegámos à noite já tarde e só me apercebi quando, às duas da manhã, fui ver o telemóvel e li as mensagens de preocupação.

Desta vez, como fomos só quatro dias, optámos por deixar Manchester para visitar mais tarde. E iremos visitar a cidade a quatro, como nós tanto gostamos, sem medos,..

Das melhores coisas que o Reino Unido oferece são os enormes parques relvados  que nós adoramos. Como andamos sempre com uma bola atrás (andam eles), deixamos sempre uma parte do dia para usufruir dos espaços verdes (aconselho umas duas horas por dia para quem tem crianças)- É a minha quarta vez no Reino Unido e nunca tive medo, sempre me senti segura com os meus filhos e acho que as cidades britânicas são mesmo chil friendly.
Sei que é difícil por vezes não pensar no assunto, mas não vou por aí. É que, acima de tudo, não posso permitir quero que o medo nos impeça de Viver.

Estamos juntos- Liverpool












 Passámos o domingo em Liverpool, mas a cidade merece mais tempo. De manhã, fomos aos estádios do Liverpool e do Everton para felicidade do Gonçalo e do Miguel e almoçamos e passeámos, com tempo e sem correrias, na zona das Docas.
 Na cidade anda tudo muito à volta dos Beatles e ouve-se música pop por todo o lado. Foi uma boa oportunidade para pôr os miúdos a conhecerem as canções do Beatles e para lhes falar dos Fab Four. Por conhecer ficou o Bristish Music Experience e o mítico Cavern Club, onde os Beatles começaram. Tentaremos voltar.

Uma família com esperança- juntos em Chester












A diferença entre viajar para Angola e para Inglaterra é imensa: os voos muito mais baratos, sem necessidades de vistos, vacinas, cartas de chamada... Na sexta-feira, apanhamos avião até Liverpool (o Luís mora entre Liverpool e Manchester) e temos estado juntos.

Como professora de Inglês, sempre fui fascinada por todo este universo britânico e nem as caretas do tempo me incomodam. Gosto da casinha onde estamos, gosto dos supermercados (Tesco e Marks&Spencer), adoro ter uma Boots aqui ao lado, ter parques enormes onde os meus filhos jogam à bola e tudo me parecer que estou no no meio de um cenário cinematográfico.

Ontem, à tarde, fomos conhecer Chester que fica a cerca de trinta quilómetros de Widnes. Chester é uma cidade que já fica relativamente perto do País de Gales, foi fundada como fortificação romana e possui a mais completa muralha da Grã-Bretanha. É uma cidade cheia de charme, com edifícios da era vitoriana muito bem conservados que convivem muito bem com as lojas das melhores marcas. Há muitas esplanadas, espaços verdes onde não faltam os esquilos, ouve-se música nas ruas e não há a confusão de Londres. Vou querer voltar!

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